quinta-feira, 23 de maio de 2013

Apoio aos trabalhadores da educação em SP!

Post do Blog: brasasarau.blogspot.com


Todo apoio à greve dos profissionais da educação do município de São Paulo 



Desde o dia 03 de maio, os profissionais que trabalham na educação do município de São Paulo estão em greve reivindicando aumento real de salários, diminuição do número de alunos por sala de aula, melhores condições de trabalho e segurança nas escolas, entre outras coisas.
Desde abril estamos assistindo a uma negociação com a prefeitura de São Paulo que transborda posturas, ações e argumentações autoritárias por parte dos responsáveis pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e do próprio prefeito. Tais características tem guardado semelhanças com os piores momentos políticos da história recente do Brasil e usa estratégias adotadas também no regime nazista.
Desde o início do ano o governo municipal vetou conquistas destes trabalhadores conseguidas nos últimos anos. Fez propostas ao magistério municipal e depois as retirou, condicionado sua reapresentação ao silêncio dos trabalhadores durante a gestão atual. Movimento que se assemelha, também, a cruéis castigos praticados contra crianças.
Também gastou dinheiro público, que poderia ser investido em educação, para exibir propagandas que trazem falsas informações sobre o atendimento às necessidades da educação paulistana, acreditando, talvez, naquela expressão que diz que "uma mentira, quando repetida diversas vezes, torna-se verdade". Quem disse isso mesmo? Para concluir que tratam-se de mentiras, basta conversar com qualquer profissional da educação municipal.
Nós  do Coletivo Cultural Poesia na Brasa, entendemos que os problemas relacionados à educação oferecida e administrada pelo Estado (neste caso, governo municipal de São Paulo) é de interesse de toda a sociedade e não apenas de seus profissionais. Não basta que a escola esteja funcionando, é necessário que haja condições para seu adequado funcionamento. A escola deve ser espaço de aprendizagem, cidadania, coletivismo, solidariedade, contestação frente as injustiças e nunca deve ser um depósito de crianças, que aliás está superlotado. Nós, que somos mães e pais, avôs e avós, tias e tios, irmãos e irmãs, amigos e amigas, enfim... almejamos mais do que um lugar para deixar nossas crianças durante algumas horas do dia. Queremos que esta educação sirva para a construção, fortalecimento e  valorização de nossas identidades e comunidades. Queremos que ela assuma o compromisso de educar pessoas melhores para um futuro melhor e sabemos que isso só pode acontecer com condições adequadas e não com sucateamento, pois é isso que vemos quando vamos às reuniões de pais.
Acreditamos na democracia que se faz além das urnas, que permite a participação do povo nas instâncias de decisão, nas manifestações e nas contestações. Democracia que se faz no cotidiano da luta por direitos e justiça, e não se limita a uma data a cada quatro anos.
Portanto, estamos cientes e apoiamos o movimento dos profissionais da educação desta cidade, e esperamos que a prefeitura passe a efetivamente dialogar. Entendemos que se os dias parados prejudicam nossas crianças, anos de educação sem estrutura e sem qualidade trazem prejuízo maior ao presente e futuro de toda a sociedade.
Todo trabalhador tem direito à greve e isso deve ser respeitado e preservado.
Está luta também é nossa!!! 
Aproveitamos para convidar a todos para participar da Caminhada Cívica em Defesa da Educação que ocorrerá neste sábado 25 de maio a partir das 11 horas com concentração no vão livre do Masp - Avenida Paulista.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sarau na BP Brito Broca

Quinta-Feira 23/05 Sarau Elo da Corrente na BP Brito Broca

Edição especial em comemoração de um ano da promulgação da Lei de Acesso à Informação e da criação da Comissão Nacional da Verdade.

Participação da escritora e fotografa Sonia Regina Bischain


domingo, 19 de maio de 2013

O ENCOSTO DA ARTE (por Michel Yakini)




Há quem diga que o artista é um ser difícil: umbigueiro, esteta puritano, egoísta e desbundado são algumas das acusações. Por conta da confusão entre artista e celebridade, ser artista se tornou um pecado capital, e a arte e seu espetáculo um inferno, sem volta.
O engraçado é ver os burocratas e suas boinas frustradas, aderindo à arte (o pecado que assombra a verdade), por não conseguirem emocionar ninguém com seus discursos empoeirados e suas babas de incoerência. Eles tem se valido do espaço da arte pra plantar minas explosivas no território da criação.
Eles não cantam, não dançam, não versam, não pintam, não tocam, não colaboram, não fode e nem saí de cima! Mas adoram um palco, tem orgasmos por holofotes quando cospem no microfone e o pior: tem um ego equivalente a de seus gritos e esbravejadas. Um ego revestido de palavras como: coletivo, atitude, luta, irmão, tamô junto, eu respeito... e mais um monte de vocabulário aprendido nas escolinhas do movimento estudantil.
Nunca aceitam ser coadjuvantes, só querem os louros da liderança e da persuasão, e normalmente tem alguns capachos pra massagear e defender seus chiliques, pois eles não querem se expor, preferem ficar de conchavo pra ver se acusa alguém de não respeitá-lo. Gostam mesmo é de supervisionar, vigiar, deixar tudo limpinho e ficar olhando de perto se algum artista está saindo do seu eixo quadrado.
Como já estão mais manjados que plantar bananeira, eles ficam por aí, caçando um publico qualquer, que carinhosamente chamam de “nossa comunidade”, pra convencê-los de silenciar a música, ignorar a poesia, ficar de cara amarrada e sem ritmo, pra ouvir as “coisas importantes” arquitetadas em uma cadeira concursada, no condomínio engradado ou nas salas de pós-graduação. Mas não dizem nada com essas palavras. Como bons militantes, líderes natos, estudam como construir um bom discurso, como viver de retórica e como fazer a maioria esquentar a mamadeira de seus ideais.
São os exorcistas da arte, e estão heroicamente à solta, impedindo a criação, o descontrole, a liberdade e a arruinação dos seus projetos prontos que não saem do papel. Não são diferentes de um pastor neopentecostal, quando o assunto é arte. Pregam que apresentar um espetáculo, sorrir, celebrar e existir é digno de queimar nos mármores do inferno. Já, já vão chamar artista de encosto, falta pouco.
Dizem que o mundo está se tornando um produto, e a arte é um refém indefeso, inocente, puro, que não entende, ou ignora essa corrupção. Pena que vivem no mundo do capital, onde os alunos são o produto da educação, os pobres o produto da assistência social, os militantes o produto da politica, assim como a arte é um produto da cultura. Agora: alguém pode me dizer o que não é produto nesse mundo? Dou um pirulito colorido com a cara do Marx.
Hora, hora, a arte é nosso terreiro, pode chegar quem quiser, pra experimentar, se confundir, se rever, pra criar e fazer o que bem entender. Mas não é um campo seguro pra quem teme as profundezas, pra quem não coloca o pé no chão, com receio de ficar resfriado, não é território pra gente medrosa, mascarada de coragem. Se não concordam com nossa arte, nos deixe em paz! Não mexa com o que nos é sagrado! Já vai tarde!
Senão estão contentes ao nosso lado, que vão pros gabinetes de algum partido, lá vão encontrar o que precisa. Melhor: Monte o seu partido, peça voto, faça cartilha de conduta, mas não se esqueça de divulgar seus serviços de previsão do futuro, pois vocês tem tudo seguro na palma da mão, sabem de tudo, planejam tudo, não importa a opinião de quem está, de quem chega, e de quem virá.
Mas arte é agua, sacô? Vocês não são tão bons em lógica? Ainda não perceberam?
O pior é que não largam o osso, pois a arte é menina dos olhos. A arte tem público. O que seria de vocês se nossos cantos, nossas cores e nossas músicas não abrissem alas pro “momento-palanque”?
Tudo bem, apesar de vocês não verem nada de importante e combativo em nossa arte, não vou tentar convencer burro brabo empacado em teorias. Mas na hora que vocês forem à minoria, tentem exercer a democracia que vocês tanto gostam, mas não praticam. É lógica tá, bebê? Não é isso que vocês vivem nos ensinando?
Já é um saco aguentar ego de artista com mania de celebridade, mas o pior mesmo é aguentar ego de charuto-cubano-com-chilique-de-filho-único. Santa paciência!
Ah, só mais um toque: Se vocês não gostam e não veem nada de interessante na arte, nos palcos, nos shows e nos espetáculos, principalmente quando é a gente, “os pecadores”, que estão lá, parem de comprar ingresso no SESC, parem de ir à Virada, de procurar show gringo pra pagar um sapo, não ouça música, não vá ao teatro, não frequente exposições, não dance desengonçado, não faça poesia, tire a máscara! Assim você pode ter uma moral equivalente pra falar com quem não tem esse acesso.  Até porque a arte mexe com energia, com fluido e se você vê nela um demônio, tá de braço cruzado no terreiro. Sacô?
A terra é redonda e é pra girar!











terça-feira, 14 de maio de 2013

Festival da Juventude de Vitória da Conquista (como foi)

Michel Yakini, Nelson Maca e GOG


Cheguei ainda agorinha em Salvador, após ter participado do Festival da Juventude em Vitória da Conquista-BA.


O festival foi muito bem organizado, e não privilegia somente o espetáculo, pois além dos shows, aconteceram uma série de colóquios e oficinas, em que a participação dos jovens da cidade e de regiões vizinhas foi marcante.

As discussões foram norteadas por temas como: Movimentos Sociais, Juventude Negra, Educação, Hip-Hop e LGBT.

A Parada Gay aconteceu no ultimo dia do festival, e durante os encontros podemos conversar com diversas pessoas que militam na causa, e que representam vários lugares do Brasil. Tive conhecimento da primeira Escola Jovem LGBT, coordenado pela drag queen Loren :http://www.e-jovem.com/escola/. Essa iniciativa é Ponto de Cultura do MINC em Campinas-SP.

Outro ponto importante, foi conhecer o movimento hip-hop de Vitória da Conquista e região. Realizei uma oficina em parceria com Nelson Maca e no outro dia participei de uma roda de conversa com Maca e GOG. Foram duas atividades que renderam muito. Nas oficinas conseguimos sensibilizar a aproximação entre o hip-hop e a literatura, baseado na relação com os saraus literários e a questão racial. No bate papo, com a presença do Secretário de Cultura local, a juventude compareceu, reivindicou maior espaço pro hip-hop da região no festival e pressionou uma descentralização do evento para as bordas da cidade. 

Além disso, houve uma discussão bem produtiva sobre a relação entre o hip-hop nos grandes centros como em SP e principalmente em Salvador com o interior, a questão da militância politica e do mercado, em que foi perceptível as demandas que o movimento precisa continuar discutindo internamente.

É logico que não podia faltar: Sarau de poesias também rolou

Satisfação pelo encontro, pelo convite, e pela oportunidade de crescimento e reflexão nesse fim de semana.

Na quarta-feira, as 20 horas, estarei no Bar Sankofa, no Pelourinho, para somar no Sarau Bem Black, organizado por Nelson Maca, lançando meu livro "acorde um verso' e exibindo o curta metragem 'Periferia Palavra Viva"

Quem tiver por aqui é só colar.

Axé sempre!

Michel Yakini

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sarau Bem Black recebe Michel Yakini


SARAU BEM BLACK RECEBE MICHEL YAKINI 

É escritor, poeta, arte-educador e produtor cultural. Publicou "Desencontros" (contos, 2007) e Acorde um verso (poesia, 2011) co-organizou com Raquel Almeida "Sarau Elo da Corrente - Prosa e poesia periférica" (vários autores, 2008) e participou de diversas antologias. Co-fundador do Coletivo Literário Sarau Elo da Corrente e atuante no movimento de literatura das periferias de São Paulo. É estudante de Letras da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

ACORDE UM VERSO

O livro Acorde um verso, é a sua segunda obra autoral, a primeira no gênero
poesia. Esse trabalho foi editado durante 5 anos, em que sua produção, alimentada
principalmente nos saraus literários, foi buscando casar e descasar: a voz e a página,
o revide e o lúdico, a roda e o umbigo, a urgência e a qualidade. A obra conta com a
participação dos escritores Allan da Rosa (posfácio) e Cidinha da Silva (quarta-capa).