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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Eles são assim. (por Michel Yakini)


Eles são assim: Fazem de tudo pra que elas não descubram o segredo do horizonte. Eles tem medo. Sabem que lá tem mel jorrando das pedras e não querem dividir essa com ninguém. Comem até se empaturrar e ficar molenga. Isso fica só entre eles e quando elas cruzam esse caminho, eles já ficam olhando de rabo de olho, cochichando, maquinando como controlar os passos. Se quiser que comam na palma da mão deles. Vejam só!
É, eles são assim. Muitas delas só conhecem o gosto do mel pela palma da mão deles. Muitas nem sabem que podem pegar sem permissão. Outras acreditam nas pragas que eles jogam, de que comer mel da própria mão dá uma baita caganeira que chega seca a bendita atrevida. Sem contar aqueles que se acham donos do horizonte, como se aquilo tivesse papel passado e escritura exclusiva, e ficam ameaçando quem chegar perto das nascentes.
Apesar de que, esses ainda dá pra encarar, mas tem muitos que escondem um chicote cheio de prego e tacam na primeira que ameaçar seu trono, outros nem precisam ameaçar, já dão logo uma lapada pra garantir o serviço.
Pode ver: eles só aceitam por perto, e olha lá, as que se parecem com eles, e se não for nem chegue. Tem que cuspir no chão e coçar por debaixo da barguia pra ter um mínimo de respeito no meio deles, aí eles chama de Cafu, de Maria Mocassin, Geraldona e fingem tratar como se fosse um quase-igual. Mas por trás chamam de Invertida. Na real, odeiam que elas se gostem, odeiam quando elas se amam, a não ser se for pra ver elas se beijando, enquanto eles se saciam achando que é exibição de filminho pornô.
Eles são assim: não gostam de ver o amor entre elas. Desconfio que não gostem nem do amor. E não me venha dizer que nem todos são assim, porque esses são farelo do pacote e se fingem de morto no seu cúmplice-conforto. Talvez eles tenham medo de acabar se amando. Isso dá enjôo neles. Isso deixa eles violento. Porque quando elas se amam, teimam em ficar com olho brilhante, quando elas se amam, aprendem a decifrar os mapas do horizonte, o caminho das nascentes, quando elas se amam exalam pelas ruas um perfume de mel.


Um comentário:

Daniela P. disse...

Michel com suas lindas palavras... suaves e delicadas... repletas de força.
(Dani)