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quarta-feira, 13 de junho de 2007

HOJE É NÓIS !!!

Hoje será o dia do lançamento do meu 1° livro, mó ansiedade e responsabilidade de publicar esse trabalho. Vamos estreiar o projeto do nosso Sarau também o "Elo da Corrente"
Não estamos fazendo nada novo,pelo contrário estamos nos inspirando na correria de vários gurreiros da periferia (veja o post abaixo) que estão lutando muito pra fazer valer nossa cultura e identidade. Hoje voltando pra casa, no trenzão lotado, me lembrei de muitas coisas que me influenciaram pra essa realização acontecer.

Eu era um menino que sonhava ser jogador de futebol, não fui, por diversos motivos. Falta de sorte pode ser uma delas, falta de verba pra se manter treinando e não ter que trabalhar, faltou até talento também, com certeza. O que não faltou foi o apoio da minha mãe, que muitas vezes me deu dinheiro pra ir treinar, do meu pai, que mesmo no cárcere escreveu uma carta pro clube Nacional e conseguiu um teste pra mim, mas firmeza!
O tempo que eu ficava treinando nos times da vila, nos clubes que tentei a sorte, me deixou bem afastado da criminalidade, por exemplo. Desde de pequeno ajudava um trampo pra ajudar em casa, vendendo maria mole na feira, doce, cachorro quente e graças a Deus a nossa familia correu atrás e deum barraco de madeira, conseguimos nossa humilde casa, minha mãe até foi comerciante do bairro por um tempo, antes de ser merendeira da escola.
Nessa pegada, sempre estive no batente e isso ajudou muito na minha formação como pessoa.
Escola nunca gostei muito, mas também nunca repeti de ano, quando ia repetir o estado me passou nas férias, vai vendo!
Lembro que quando fui procurar um emprego registrado, com meu tio, na construção civil ele me disse:
" O trampo é pesado, não é pra carregar papel higiênico, não"- Ele disse isso porque eu tinha largado uma semana antes um trampo explorador em uma mercearia, perto de casa.
Trampando na construção civil (passando e retirando cabo telefonico, nos postes e caixas subterrâneas) aprendi muita coisa no exemplo de vida da piãozada. A maioria era pai de familia e não tinha nenhuma perpectiva de arrumar outra coisa, muitos nordestinos também.
Certa vez, eu vacilei pra entregar uma ferramenta pra um senhor no poste e pra tirar um sarro (pião é embaçado) o senhor falou:
" Oh! Michel, cê já ouviu falar em caneta?"
Dei risada, os caras achavam que eu era estudado, porque tinha o colegial completo.
Eu sempre lia jornal e revista, mas livro não. Só que eu percebi que trabalhando no pesado, minha capacidade de escrita e leitura tava decaindo, então resolvi começara ler uns livros, Li "Dalai Lama", certa vez na casa de um primo li o livro "Meu amigo Che" de Ricardo Nojo, sobre a história revolucionária de Che Guevara, fascinei. Li mais sobre revolução cubana, SOBRE ZUMBI, LUTHER KING E MALCOM X, o engraçado é que meu pai me deu uma camiseta do Malcolm X, quando eu tava na quinta série, lembro que a professora de inglês tirava:
" Vocês vestem roupa com escrito em inglês e nem sabe o que é".
Eu nem Sabia mesmo, só lembro do X grandão na camiseta, comprada na galeria. Depois que li o livro lembrei que também assisti o filme, numa madruga no SBT , alguma coisa me rodeava nesse sentido, que bom!
Na vila, por influência do meu pai, eu andava com uma rapa do movimeno punk e por isso escutava muita letra de protesto e lia zines . Um dia eu pensei em publicar um também, havia uma rádio comunitária no bairro, meu pai e meu tio faziam programa lá e meu truta, o DOug, me falou pra descolar um horário pra tocar rap e me convidou pra fazer junto, fiquei meio assim, mas topei . O lance me seduziu, rádio, leitura, movimento social....
Lembro que ia na biblioteca, procurar coisas para ler e uma vez achei uma revista ... era a Caros Amigos e lá conheci os textos do Ferréz... me indentifiquei muito, depois nas correrias de Zine, conheci o Buzo, por telefone, depois comprei os livros dele e o conheci pessoalmente, nos tornamos amigos.
Na rádio conheci os manos do Alerta ao Sistema, parceria até hoje!
Me envolvi de cabeça, fazendo rádio, eventos de rua, depois resolvi estudar e prestar o vestibular...depois de muita luta, estudando em cursinho popular, passei na Universidade Federal do Paraná no curso de Ciências Sociais... pensava que na universidade poderia abrir mais um leque para melhorar os corres .., adquiri muita experiência, conhecimeno e fiz muitos amigos, enontrei muitos irmãos , morando em Curitiba.
Resolvi voltar, não bati as idéias com a academia, teoria de gabinete é foda ....Voltei pra casa e trabalhei, vários corres, encontrei o meu amor, a Raquel, vamos casar logo mais, mas já moramos juntos ha um ano.
E na disposição, ai está o primeiro fruto:
Um livro, uma perspectiva de agitar o bairro com um sarau ....vamô vê...
seguir em frente e tentar mudar a cara do bairro, fazer que os muleke e as minas tenham uma nova oportunidade de vida além do tráfico ....resgatar os artistas periféricos, que deve ter uma par por aqui, além dos que eu conheço.

ISSO UM POUCO DE MIM

MUITO OBRIGADO A TODOS QUE ME APOIARAM E TAMO JUNTO!

ATÉ MAIS, com muita fé a luta continua !

Michel da Silva

Um comentário:

Alexandre Papai disse...

Parabéns pelo relato, pela história e pelo sucesso! =D